28 de janeiro de 2012

CÁPSULA N° 28 – CARTA DE FLORENTINO ARIZA À FERMINA DAZA NO CERTAME DO CASAMENTO DESTA

(Para Gabriel Garcia Márquez)

É febril o meu estado
Um sentimento de perda,
Uma loucura minha.

Vai-se a Dama Coroada
Pra longe demais
E não vai sozinha.

Eu sempre a me perguntar
O que fiz ou não fiz?
Porque não eu?
Que tanto bem quis
E tanto escrevi
Juras e mais juras.

O que são elas agora?
Nada mais que palavras escritas
Não mais lidas
Nem por ela nem por ninguém.

Fico só eu então
Não tão só
Acompanha-me a esperança
Parceira constante dos incautos apaixonados.

Uma esperança sombria
Que funestamente
Só poderá se realizar através do viés da morte
Da minha
Ou do outro.

De que valeram as lágrimas
A molhar meu rouco violino
Se tu musa de todas as canções
Desdenha dela e pisa
Com teus tamancos duros
O frágil coração perdido.

Sem mais delongas
Que se vá,
Mas não esqueça jamais
Que como te jurei um dia
Serei só de ti
De mais nenhuma dama
Mesmo que seja por toda a eternidade
Estancarei aqui
A esperar por vossa senhoria.

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